quinta-feira, 24 de março de 2016

Cinema & Afins #28 | Análise de Batman v Superman

E com uma pré-venda razoável e muitas pessoas com camisetas do Batman (yep, mais do que do Superman) Batman v Superman: A Origem da Justiça estreou ontem. Muitos críticos já reclamam do filme comparando-o com a estreia (para muitos) decepcionante do novo Quarteto Fantástico.
Um veredito? Não. Hoje analisaremos alguns pontos sobre este lançamento e caberá a você, leitor, a julgá-lo e decidir se concorda com as críticas ou não.

ATENÇÃO: Contém pequenos spoilers (nada de importante, mas como estamos analisando o filme...)


  • A apresentação do Cavaleiro das Trevas e o complexo de “menininho órfão”.
Depois da apresentação do Superman em O Homem de Aço esse filme foi muito esperado e questionado por mostrar pela primeira vez o novo Batman que formará a Liga da Justiça moderna nos cinemas. Ao longo do filme diversos sonhos de Bruce Wayne tentam nos fazer entender o porque sua obsessão em combater o Superman e os tormentos que sempre fizeram parte do personagem. Contudo a imagem mostrada se torna apenas uma face do que o personagem realmente é, mostrando um Batman que mesmo experiente ( já combatendo o crime em Gotham por 20 anos) é selvagem, tendencioso e desesperado.
Nossa! Tudo isso? Sim. Seu trabalho como vigilante é resumido para algo sem sentido, quando ele mesmo diz que os bandidos que combate são como ervas daninhas, quando prende um, outro já estará lá (ignore as vidas que você salvou, tudo bem). Os 20 anos em que ajudou as pessoas e salvou muitas delas causa no homem morcego a perda da fé na humanidade, como em seguida veremos junto com Superman, e resumem tudo em uma angústia constante em que apenas a menção do nome de sua mãe pode mudar uma situação inteira.
Uma pausa então para elogiar o uniforme e o bat-móvel. Ambos foram belamente adaptados e até alguns dos gadgets do homem morcego utilizados para o combate. Contando até com aquela sorte dos quadrinhos de destruir um veículo inteiro e manter o local do rastreador intacto.

  • E tudo se resume na Fé na Humanidade.
Não é novidade que Batman dificilmente confia nas pessoas ou acredita nelas como muitas vezes Superman o faz sem hesitar e no filme a busca por respostas dos dois personagens que se veem abalados por diferentes situações ilustra bem isso.
Enquanto os anos de trabalho e a perda dos pais apenas faz com que Batman se torne desiludido com qualquer bondade na humanidade, Superman começa a questionar se o que ele faz é certo pelas discussões criadas depois de sua oficial apresentação para o resto do mundo na grande batalha final de O Homem de Aço. Seria ele um Deus capaz de salvar a todos, ou o demônio disfarçado que em um momento de loucura pode destruir tudo?
Essa questão que se torna o ponto principal do filme por um bom tempo leva os dois personagens principais a buscarem por respostas. O que fazer frente a essa situação que muda tudo o que até agora a humanidade sabia?
Superman busca refúgio no isolamento e percebe que é por estar junto de Lois e se inspirar em seus pais que escolheu aquele caminho, enquanto Bruce afunda cada vez mais em suas trevas, ignorando (pra variar) os conselhos de Alfred e pensando na morte de seus pais.
Como Bruce diz ao conhecer Clark "Talvez seja a Gotham City em mim". Por princípio então aceitamos a mesma teoria do filósofo Rousseau, Gotham por seus crimes violentos em grande quantidade (fato ironizado até ao ser mencionado por Clark na reunião de pauta do Planeta Diário)acaba por moldar o morcego, enquanto Clark usa as experiências ao crescer com sua família e seu relacionamento com Lois como base de pensamento.

  • O conceito de "se vai ser um "vilão do Batman" de alguma forma deve ser louco."
Um dos causadores da movimentação e situações chave do filme é Lex Luthor, que obviamente se posiciona contra Superman e assim alimenta a raiva de Bruce e Clark para causar ainda mais discórdia. Como em seu discurso durante o trailer, ele se fascina com a possibilidade do "demônio" de Gotham combater o suposto "Deus" da justiça que surgiu em Metrópolis.
Mas se você espera algo mais "pé no chão" para este vilão, principalmente depois de passar o trailer de Esquadrão Suicida antes do filme, pode se desiludir. Aparentemente a loucura é algo contagioso e Luthor é apresentado como um homem problemático, traumatizado pelo pai que lhe tratava com violência e obcecado por poder,detestando Superman por ele ser apresentado por muitos como um Deus bondoso, que tenta ajudar a todos. Mesmo não sendo um verdadeiro vilão do homem morcego, ele tem uma paranoia e um transtorno de ansiedade dignos de Arkham.
Logo no início ele lembra bastante a caracterização de Mark Zuckerberg no filme A Rede Social, depois partindo para um modo mais paranoico e onipotente, muito bem ilustrado em seu discurso durante uma festa quando se perde em devaneios discutindo sobre o conhecimento e o poder na frente de todos os convidados. Rendendo até uma feição perturbada e palavras repetidas como aparição final ("ding,ding,ding,ding").

  • O mais distante da trilogia de Nolan quanto for possível.
Enquanto a trilogia Cavaleiro das Trevas tentava adaptar tudo para a realidade, os fãs de quadrinhos podem ficar tranquilos, o filme se apresenta de modo bem caracterizado. Com a presença dos temas de cada personagem nos momentos de suas ações e aparições principais (com Luthor e a Mulher Maravilha isso se torna bem óbvio), contando também com o uso de elementos vindos do quadrinho do Cavaleiro das Trevas original que mesmo não sendo exatos (afinal, é realmente uma adaptação) deram um gostinho a mais aqueles que já leram a história e poderiam entender a referência (não insira um meme do Capitão América aqui, por favor), aqui a questão não é como isso pode ser possível e sim as consequências da existência desses elementos.

No geral, o filme não tornou-se um dos melhores da história, mas agradou bastante de seu modo. Não vá esperando um Vingadores, pois essa não é a proposta e não deveria ser, o que vemos é um filme baseado em quadrinhos e adaptado conforme eles. Corrido e talvez um pouco incoerente em alguns pontos? Sim. Contudo depois de O Homem de Aço, é uma esperança agradável para as próximas produções da DC Comics.

P.S. Sei que muitos de nós somos traumatizados com a Marvel, mas não precisam esperar pela cena pós-creditos! Ela não existe ;)

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